ENTREVISTA EXCLUSIVA
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J. Velloso fala sobre os Cavaleiros de Jorge:
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Por: Maíra Côrtes

 
Foto: Divulgação

Esse baiano tem arrebatado fãs pelo mundo todo com seu jeito extrovertido e com uma voz firme e forte. Já passou por dezenas de cidades brasileiras, além de já ter se apresentado em Paris. Com toda sua simplicidade e humildade, J. Velloso, que vem se destacando na MPB, com direito a elogios da crítica e do público, conversou com o Alvo sobre os Cavaleiros de Jorge, o novo CD, a parceria com Jorge Vercillo e outros grandes nomes da música e falou também sobre as semelhanças entre ele e o tio Caetano. Confira!

Por Maíra Côrtes

Alvo dos Famosos - Como está sendo pra você ser bem recebido pela crítica e pelo público?
J. Velloso - Feliz, pois eu não sabia que as pessoas estavam desejando ver um trabalho de música como o meu, eu que me aproximo da música como a uma divindade, saber que o que eu faço com simplicidade tem agradado, me deixa muito feliz. Sei que na medida que essa exposição minha venha se tornar maior as críticas vão se tornar mais variadas, mas isso é normal, mas o mais importante é estar perto da música e convivendo com pessoas que gostam dela.

AF - O que você está preparando para 2009?
JV - Pra esse ano eu desejo continuar me dedicando a cantar as minhas músicas, coisa que tenho feito desde 2007, o que tem me dado muito prazer e me presenteado com bons frutos, entre eles o próximo CD, que está bem com a cara dos ensaios dos Cavaleiros de Jorge. Esse ano é trabalhar ele.

AF - O que os fãs podem conferir no seu show?
JV - A minha paixão pela verdade, pela delicadeza, pela minha terra, pela simplicidade que enobrece as pessoas, tudo isso sendo passado com emoção através de músicas da minha autoria ou de outros compositores que admiro muito. Gosto muito de situações improvisadas, por isso provoco esses acontecimentos nos nossos "ensaios itinerantes", pois vejo que hoje os palcos oferecem tudo muito ensaiado, o que não é ruim, mas pode perder a naturalidade do artista. Ou a gente é uma Maria Bethânia ou é cada um de nós, pois vejo nela o extremo da dedicação, mas essa dedicação nela é natural e ela não é só assim no palco, é em casa, com seus amigos, seus pensamentos e seus amores, por isso o show dela é super ensaiado e difícil de realizar, mas é muito verdadeiro, acredito ser o mais verdadeiro de todos que conheço.

 AF - Você continua com os Cavaleiros de Jorge? Quem são eles.
JV - São meus amigos talentosos queridos. Começamos sendo quatro (eu, Luciano Bahia, Dailha Mendes e Gustavo Caribé) e depois viramos cinco com a chegada do professor Alex Mesquita. Hoje temos uma confraria maior, Rain Rodrigues (Nova), Luciano Calazans, Rene, Waguinho e Poliana (nossa amazona percussionista). Tudo isso sendo dirigido por minha produtora, que está nesse projeto desde o início, minha querida Luzia Moraes. São pessoas que gostam de mim e do meu trabalho, mas digo com franqueza que a reciprocidade é verdadeira.

AF - O que vocês trazem de diferente esse ano?
JV - Esse ano vamos montar um novo show pro CD que será lançado, que vai sair pelo selo Quitanda da Biscoito Fino. São músicas inéditas e outras que já foram gravadas por outros intérpretes. E estou super feliz de contar com as participações de Virgínia Rodrigues, Mário Ulloa, Paulo Dafilin, Jorge Mautner, Aldo Brizzi e Jorge Vercillo nesse novo CD.

AF - Existem comparações entre você e Caetano além da aparência física?
JV - Existe sim, até dentro da minha família, e vejo isso com alegria, pois adoro Caetano, não só do lado artístico dele, mas principalmente pela pessoa maravilhosa que ele é. Falam muito do meu comportamento aparentemente calmo, que isso ele também tem. Tanto ele quanto Bethânia vêm marcando muitas gerações até hoje, e eu gosto de não ter escapado disso. Acredito, presunçosamente, que o que tenho feito é fruto do que o Tropicalismo semeou, e faço tudo com naturalidade, pois está dentro de mim e aprendi a ver o mundo através desse movimento.

AF - Até hoje, qual foi o show que mais te emocionou?
JV – Dos que já fiz eu diria que foi o do lançamento do meu primeiro CD, "Aboio para um Rinoceronte", que aconteceu no teatro Vila Velha, aqui em Salvador. Teatro onde Caetano e Bethânia começaram, juntamente com Gal e Gil e uma turma super bacana. E como o meu primeiro CD é uma reverência a tudo que me fez ser como eu sou, eu sabia que eu estava dentro do útero que gerou o que me guia artisticamente e como indivíduo, e isso me carregou de emoções e significados. Mas se for falar de show de outros artistas eu lhe diria que foi no show do reencontro dos Doces Bárbaros, na praia de Copacabana. Cheguei lá no dia do show, pois na véspera, assistindo uma entrevista deles na TV, soube que os quatro (Bethânia, Caetano, Gal e Gil) iriam cantar minha música Sto. Antônio, voei para o Rio. Lá na hora, chorei mais do que assisti. Chorei por ver como o tempo passa, que ele tinha levado meu avô e meu pai, mas que estava me dando naquele momento um presente inesperado e que eles gostariam de ver aquilo, mas chorei por minha mãe e por Mabel que estavam ali comigo, do meu lado.

AF - Por onde os Cavaleiros já passaram, além de Salvador?
JV - Já nos apresentamos em Sto. Amaro, Paris, São Paulo, Rio Branco, Rio de Janeiro, Aracaju, Porto Seguro, Arraial D'Ajuda, Ilha do Massangano (PE), Juazeiro, Feira de Santana, Costa do Sauípe, entre outros lugares. Mas onde mais nos apresentamos foi em Salvador, nos espaços de música alternativa POP. E conseguimos andar tanto assim, em apenas dois anos, por conta da internet, pois através do meu site (www.jvelloso.com) a gente tem conseguido aglutinar pessoas, informar onde estamos e o que estamos fazendo, divulgar nosso trabalho, ouvir opiniões, etc...

AF - O que mais te satisfaz cantar, compor ou dirigir artisticamente?
JV - Hoje gosto muito de cantar, pois é sempre uma oportunidade de reencontrar com os amigos músicos e outros parceiros, conhecer pessoas novas e trabalhos de outros artistas que não são muito conhecidos. Logo depois vem compor, principalmente para as necessidades do show ou para registrar um momento marcante. Mas estou super feliz com os parceiros novos; Roberval Passos, Luciano Calazans, Jorge Mautner e Jorge Vercillo; são presentes que a música me deu em 2008. Dirigir artisticamente não tenho tido tempo, pois isso requer uma dedicação muito grande, mas produzi um disco com Luzia Moraes de uma família de nigerianos cantando umas músicas lindas da terra deles, no disco eles são acompanhados pelo toque dos alabês do Gantois e outros músicos que admiro muito, acho um trabalho lindo, quando ouço fico muito feliz, espero que as pessoas possam conhecer esse CD que considero muito singular.

AF – Em geral, o que você espera para 2009?
JV - Falando do mundo, que geralmente me cerca de desesperança, eu vejo nessa eleição de Barack Obama um sinal bom, um sinal bom por ver como a humanidade, na sua grande maioria, torceu e vibrou pela vitória dele, foi uma alegria geral, como se bem estivesse vencendo o mau. E essa esperança nova da humanidade sobre a humanidade me anima. E é por isso que eu tenho esperança por dias melhores para cada pessoa, independente de religião, idade, nacionalidade, opção sexual, raça, poder aquisitivo, etc... Porque a maioria da humanidade comprovou que é boa. E isso cria uma esperança, o que já é bom. E depois dessa esperança boa, a minha esperança pessoal de poder continuar a trabalhar com música a cada dia mais, tem me dado um sentido novo pra vida.

 
   
 

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